O ano em que demos a largada para o salto de qualidade da Educação foi incomparável a qualquer outro ano da Rede Pública do Município do Rio de Janeiro.
Já no início do ano letivo, os cadernos de revisão demarcaram um divisor de águas. Nada continuou como antes depois deles… Ao se constatar o problema de alfabetização e defasagem de nossas crianças, medidas urgentes precisariam ser tomadas. A realfabetização foi determinante para dar a muitas crianças uma nova oportunidade de letramento.
Com os currículos sedimentados pela distribuição das Orientações Curriculares, crianças de toda a rede municipal passaram a ter os mesmos conteúdos básicos, a despeito de qualquer bairrismo e/ou clientelismo.
As avaliações bimestrais, mais que produzir notas e conceitos, agiram como essencial termômetro para a percepção das maiores dificuldades dos alunos em se tratando de currículo. A Matemática, mostrou-se assim, grande problema na rede carioca. De tal forma, dificuldades maiores como frações e decimais ganharam caderno especial e o projeto “Autonomia Carioca” promoveu a melhoria de alunos do 9º ano, que também resgataram seus dois tempos de Matemática, antes destinados ao CEST.
Especialmente elaborado com a função de colaborar com o reforço do aprendizado, o trabalho dos voluntários superou as barreiras da incredulidade. Ao todo, cerca de 1700 voluntários e de 1400 estagiários atuaram não só com o reforço de aprendizagem, mas também com oficinas e prestação de serviços educacionais.
A fim de se investir no futuro de crianças e jovens que vivem nas áreas conflagradas do Rio, onde a sedução pela criminalidade é relevante, 150 Escolas da Rede foram inseridas no programa Escolas do Amanhã. Com o apoio da UNESCO, foram articuladas uma série de medidas com os objetivos de qualificar o ensino nessas escolas, afastar os jovens da criminalidade e integrar ao currículo cultura e esportes. O projeto Cientistas do Amanhã, inovador programa de Ciências implantado nessas unidades, foi um grande sucesso, instigando a curiosidade e ampliando conhecimentos adquiridos na prática experimental.
A Creche e a Educação Infantil foram contempladas, ganhando novos espaços e projetos que refletem a exigibilidade de um trabalho bem feito desde a primeira infância. A valorização dos agentes auxiliares de creche finalmente começou a ganhar forma.
O projeto “Rio, uma cidade de leitores”, não somente ampliou o acervo das escolas, e o acesso de alunos a espaços de leitura, mas também buscou empreender na bagagem cultural dos professores e dos agentes auxiliares de creche. Ao todo, 10 títulos foram introduzidos nas escolas, sendo cinco para cada professor e três para os auxiliares de creche. Salas de Leitura ganharam exemplares destes livros para todos os segmentos da comunidade escolar. Com isso, Clubes de Leitura foram criados em algumas escolas.
A Maratona Escolar surpreendentemente levou Euclides da Cunha para uma sabatina nas salas de aula cariocas, evento que teve culminância na Academia Brasileira de Letras em dia marcante para trinta e oito alunos finalistas e seis premiados.
Contudo, em meio a esse turbilhão de acontecimentos e novidades, e muitos outros tantos não mencionados, dúvidas e boatos eram inevitáveis. A gripe suína cooperou para o clima de incertezas. Cada vez mais isolados por nossas angústias, decidimos somar forças. Cada vez mais unidos, formamos hoje uma grande família que cresce mais a cada dia.
Por isso, neste momento, meu último dia de trabalho em 2009, minha palavra só pode ser de agradecimento pelos novos amigos e grandes parceiros conquistados neste ano onde o “novo” bateu à porta quase todos os dias.
Agradeço especialmente e com a tranquilidade de não ser piegas, nem tampouco demagoga, à Secretária de Educação, Claudia Costin, que foi a inspiração principal e maior incentivadora para que esses laços fossem construídos.
Aproveito também para parabenizá-la pela coragem, determinação, força de vontade e mais que tudo, por sonhar sempre, fazendo com que nós mesmos também nunca desistamos dos nossos sonhos; afinal, já dizia Paulo Freire, “Ai de nós, educadores e educadoras, se deixarmos de sonhar sonhos possíveis.”